João Carlos dá entrevista para a revista Beija Flor – Portugal
1. Em que consiste o Projecto Reiki Sem Fronteiras?
O Projeto Reiki sem Fronteiras vem possibilitar a ampliação de ações para uma melhor qualidade de vida, de olhares mais conscientes sobre o trabalho comunitário, através da prática clínica do Reiki, em ambulatórios e Clínicas Sociais.
2. Quando foi criado e porquê?
O embrião desse trabalho teve seu início em Portugal em 1999; entretanto, com essa nova feição claramente social e com essa nova denominação, atua desde Março de 2008 quando foi celebrada sua primeira parceria, com a Câmara de Aveiro. Partiu da continuação das ações que deram origem a criação da Ong Reiki com Você! no Rio de Janeiro em 2003, e da Associação Ser Vida em Portugal em 2004. A promulgação das Leis referentes ao assunto nos dois países foram mais um impulso para que uníssemos nosso já existente grupo de voluntários. Somamos a isso a iniciativa de procurar o comprometimento do poder público, através das câmaras municipais, para apoio em suas ações comunitárias. Com todos esses pilares o Projeto Reiki Sem Fronteiras mostra-se como uma iniciativa capaz de atender a comunidade através de programas de saúde inteligente, de baixo custo e com a eficácia que vem sendo dia-a-dia comprovada mundo afora por seus praticantes.
3. Quais são os seus objectivos?
Tem como objetivos principais: ampliar o número de pessoas que praticam Reiki, desenvolvendo ações voltadas à informação e à formação de novos reikianos; preparar equipes de voluntários para realização de atendimentos no âmbito da sua terapêutica, em ambulatórios e/ou clínicas sociais; e, estruturar núcleos difusores dos ideais e da prática de suas atividades na área da saúde.
4. Que actividades desenvolve?
Ações de informação através de palestras públicas de entrada livre, encontros de alunos e novos interessados para informação e prática do Reiki, organização do corpo voluntário e programas permanentes de reciclagem, ações de formação de novos praticantes, com cursos bimestrais no Rio de Janeiro, em Serpa, Lisboa e Aveiro, e capacitação para aqueles que atuam profissionalmente nos ambulatórios e clínicas sociais.
5. Como funcionam os ambulatórios e clínicas sociais?
Funcionam em parceria com instituições simpatizantes, utilizando seus espaços físicos, atendendo toda a comunidade indiscriminadamente. É sugerido um valor simbólico de contribuição para manutenção do serviço e desenvolvimento do projeto, sem que esse seja précondição para o atendimento. No ambulatório os atendimentos são individuais e têm hora marcada, com uma hora de duração por sessão. O serviço prestado pelas clínicas sociais envolve, além de uma sessão de Reiki, o acompanhamento terapêutico através de Terapia Centrada em Reiki, um método de abordagem holística que visa o desenvolvimento integral do indivíduo.
6. Como foi o seu envolvimento neste projecto?
Reiki entrou na minha vida há 15 anos como uma resposta a algumas questões existenciais profundas. Através dele encontrei meu propósito nessa vida, alinhei-me com ele, mudei tudo o que fazia deixando para trás a gestão de minha empresa, então com 5 lojas e 100 funcionários, e voltei-me às práticas para o desenvolvimento humano.
A percepção de que somos Um, que estamos todos no “mesmo barco” e que, ou vamos todos juntos rumo à plenitude, à prosperidade, ou nenhum de nós a atingirá em toda a sua pujança, foi uma decorrência natural de novos patamares em minha consciência.
O Projeto Reiki Sem Fronteiras é um dos mais nobres braços de todos os trabalhos sociais aos quais dou inspiração, e certamente o de maior potencial e alcance junto à comunidade. Mostra disso tem sido a velocidade com que se difunde e com que atrai novos parceiros.
7. Actualmente, o projecto conta com quantos voluntários e equipas formadas?
Nesse momento conta com equipes nas cidades de Braga, Barcelos, Póvoa de Varzim, Vila do Conde, Viseu, Aveiro, Benavente, Lisboa, Setúbal, Barreiro, Vidigueira, Beja e Serpa, em Portugal. No Brasil está presente no Rio de Janeiro. Essas cidades funcionam como Coordenações Locais responsáveis pelo contato com público interessado, com os praticantes e voluntários, e junto ao poder público a propósito de nossas parcerias presentes e futuras. No total temos algo em torno de 80 voluntários envolvidos, nas duas instituições.
8. Que tipo de mudanças acredita que este projecto trará ao nosso sistema de saúde?
Uma possibilidade de complementação às práticas tradicionais, aliando a visão energética da saúde. A “filosofia” que dá base ao Projeto RSF, lembrando a Organização Mundial de Saúde, percebe que a saúde é decorrência de um estado geral de equilíbrio nos níveis psíquico, físico e social. Recorrendo a Einstein percebe que a fonte desse equilíbrio é a energia que origina toda a existência material, que no caso dos seres biologicamente vivos chama-se Energia Vital, ou Ki, matéria prima de práticas como o Yoga (Prana), o Ch´i Kung (ch´i), o Aikido ou o Reiki (Ki). Dessa forma, antes mesmo do adoecimento a outros níveis mais, digamos, palpáveis, o ser humano estará doente energeticamente. A prática concomitante do Reiki e a medicina convencional vem sendo observada em muitos países do mundo, notadamente nos Estados Unidos e Europa, principalmente na Espanha, como uma mais valia seja na prevenção, seja na aceleração de processos de recuperação, incluindo observações notáveis a nível do sistema imunitário, seja ainda no alívio de sintomas como a dor em pacientes com cancro.
9. E que outras mudanças poderá trazer?
Não creio que Reiki Sem Fronteiras possa trazer mudanças para o atual sistema de saúde. Isso seria dar novas respostas à velhas perguntas. Creio que sua proposta sirva, sobretudo, como inspiração à novas perguntas, sirva para a construção de um novo paradigma em saúde, em contraparte a um sistema claramente “de doenças”.
Na prática a proposta Reiki Sem Fronteiras colabora com uma nova consciência individual de “Cuidar de Si”, onde cada um se descobre e percebe como aquele que tem o poder de despertar em si seu potencial inato de cura. Mais empoderado, através de uma maior carga de Energia Vital, o indivíduo (re) aprende que a doença não é um inimigo, mas sim um importante sinalizador dos descaminhos que vêm sendo percorridos, usando-a como pista para novos caminhos rumo ao despertar da saúde.



