João Carlos Melo dá entrevista à Revista Vida Saudável, em Portugal
Vida Saudável – Em que consiste o Reiki?
João Carlos – Reiki é uma prática de saúde centenária, que nos foi trazida aos tempos atuais pelo teólogo japonês Mikao Usui, fruto de suas pesquisas sobre a vida de Jesus. Redescoberta em manuscritos grafados em sânscrito, não se tem precisa nem sua origem nem sua idade, mas crê-se que date de aproximadamente 2.500 oriunda do Tibete.
Está baseada na existência da Energia Vital – Ki, em japonês; C´hi, em chinês; Prana, na Índia – e na observação de que todos os seres biologicamente vivos, ou seja, animais racionais e irracionais, e vegetais, são compostos e sustentados por essa energia.
Segundo Albert Einstein toda matéria é oriunda da energia, e com os seres que têm existência biológica não é diferente. Nesse caso trata-se, entretanto, da Energia Vital.
VS – Como funciona na práctica?
JC – Reiki, como prática de saúde, é uma investida natural e segura no sentido de se manter ou reconquistar a saúde. Observe-se, entretanto, que saúde é mais do que a ausência de sintomas. Saúde, segundo a OMS – Organização Mundial de Saúde, é um estado de harmonia, de equilíbrio, nos níveis mental, físico e social. Uma vez que qualquer um, e todos, esses níveis são oriundos de um campo de energia, Reiki é uma prática que funciona como uma “recarrega de baterias” de energia vital. Como resultados teremos níveis mais elevados de imunidade, relaxamento, particular sensação de confiança e segurança, maior flexibilidade e lucidez na lida com as questões diárias, maior capacidade de rever sua própria história ampliando as possibilidades de desfazerem-se os nós dos traumas.
Uma sessão de Reiki dura aproximadamente uma hora, onde o reikiano – como é chamado alguém que passou por um curso de Reiki, tocará com suas mãos pontos específicos do corpo vestido do receptor. Não é massagem nem há manipulações. Apenas as mãos pousadas em posições-chave para um melhor proveito dessa recarga vital.
VS – Existe alguma filosofia por detrás desta técnica?
JC – O que existe é uma visão e um desejo de uma vida mais plena, saudável, abundante. Dessa forma, normalmente, um reikiano é alguém que está investido em buscar sua saúde (latu-senso) em todos os aspectos e momentos de sua vida. É natural que alguém que pratica Reiki com regularidade invista também numa alimentação saudável, em práticas inteligentes para manutenção do bem-estar físico, e que procure manter seus pensamentos e relacionamentos em alto nível de qualidade. Não, Reiki não é uma filosofia, mas sim uma opção por Saúde Inteligente.
VS – Existem vários tipos de Reiki ou só um?
JC – Existem várias “correntes” de Reiki. Práticas que, derivadas do Sistema Usui de Cura Natural, ao qual nosso projeto está vinculado, foram sendo modificadas ao longo do tempo. Hoje há um sem número de vertentes e variantes, algumas muitíssimo distantes do Sistema original e, muitas vezes, também distantes de sua essência.
VS – Com que frequência se deve fazer uma sessão?
JC – As demandas diárias de um funcionamento organísmico normal são bastante acentuadas. Para atendê-las a natureza pressupôs uma alimentação correta rica em vegetais crus, uma respiração adequada e capaz de abastecer o indivíduo de oxigénio e também do Ki disponível na atmosfera, e pressupôs ainda que a relação entre esse suprimento e o consumo de energia estariam em equilíbrio.
O que se verifica é que a alimentação é pior a cada dia, seja pelo empobrecimento dos solos, seja pela forma com que os produtos são cultivados, colhidos, transportados e armazenados, seja pela combinação inadequada desses alimentos, seja pela quantidade de “matéria inerte” que se consome através de carnes e dos fast foods. Os estresses e traumas imprimem sobre a respiração padrões de contenção levando à diminuição da frequência e da profundidade do ciclo respiratório, colaborando negativamente com a sustentação bioquímica e energética. Dessa forma, os recursos naturais previstos deixaram de ser suficientes passando a ser desejáveis práticas naturais repositoras. Reiki entra nesse complexo sistema diário de sustentação da saúde e da vida. Assim, espera-se que seja praticada, ao mínimo, uma sessão completa diária, com aproximadamente uma hora de duração.
VS – Pode dizer-se que se trata de uma terapia curativa?
JC – É muito delicado falar-se em Cura. Se uma prática se auto intitula “curativa”, há a expectativa de que cure. É complexo entender-se do que trata a cura. No geral, observa-se cura como a supressão de sintomas. Entretanto, uma aspirina pode eliminar uma dor de cabeça, mas não por isso sana sua origem, que pode ser, por exemplo, um distúrbio gástrico, ou um problema de coluna.
Acho mais adequado referir Reiki como uma prática de harmonização energética. Com a continuidade das aplicações vai-se testemunhar em qual direção essa harmonização progrediu a saúde do indivíduo. Mas, sim!, em muitas situações o mal é superado. Mas, acima de tudo, há uma ampliação da consciência do sujeito sobre si mesmo, e sobre os processos – saudáveis e não saudáveis, que vem levando a cabo em sua vida. Dessa forma, o que é de fato curativo, são as novas possibilidades e conquistas de autonomia para novas escolhas, mais saudáveis.
VS – Quem deve recorrer ao Reiki? só as pessoas que têm problemas?
JC – Como disse, Reiki é uma prática repositora de Energia Vital. Dessa forma é a própria inteligência inata da pessoa que conquista novas hipóteses de recuperação da saúde; mas também de manutenção da saúde. Ou seja, apesar da maioria das pessoas estar doente, em algum nível, é ideal que Reiki seja utilizado como instrumento de prevenção.
VS – Como surgiu a ideia de criar o Reiki Sem Fronteiras? Gostaria que me falasse um pouco mais desse projecto.
JC – O Projeto Reiki Sem Fronteiras é fruto de um desejo de alargar o uso dessa prática à comunidade de forma geral, mas com algum foco nas populações menos favorecidas, visto não terem acesso a sessões de Reiki por 30, 50 Euros. Percebemos que reuníamos muitas das condições para tornar isso possível. Um trabalho já com 10 anos em Portugal e aproximadamente 2.000 alunos iniciados, muitos deles com forte desejo de se voluntariar em um causa como essa. Em 2003 seguindo essa “pista” fundamos a ONG Reiki com Você, no Rio de Janeiro, e em 2004 a Associação Ser Vida, em Portugal. Deu o ânimo final a promulgação da Lei 45/2003 em Portugal a Portaria 971/2005 no Brasil, ambas no sentido da regulamentação das medicinas complementares em ambos os países.
Dessa forma, partimos para contatos com as Câmaras de várias cidades onde temos coordenações, procurando parcerias através de protocolos de ações sociais, com a cedência de espaços para divulgação, reciclagens de voluntários, cursos, ambulatórios e clínicas sociais. Hoje temos dez Câmaras parceiras do Projeto Reiki Sem Fronteiras, e é nosso desejo e ação que, em breve, sejam muitas mais por todo o país.



