Terapias Alternativas – Emília Sarmento
Terapias Alternativas
Qual a terapia que exerce?
Sou praticante de Reiki.
Na sua origem etimológica, Reiki é uma palavra japonesa, que significa Energia de Vida ou Energia Vital (Ki) Universal (Rei). Esta é a energia que compõe e sustenta a Vida, nas suas múltiplas formas (vegetal, animal, humana). Designada de diferentes modos desde tempos imemoriais (Chi, para os Chineses; Prana, para os Indianos; Orgone; Energia Bioplasmática…), ela está disponível no Universo e é apropriada por todos os seres vivos, através da respiração plena, de uma alimentação saudável e natural, da água pura, do contacto com a Natureza.
Mas, além de designar uma forma específica de energia (energia vital), a palavra Reiki designa também uma prática de saúde, englobada no que a Organização Mundial de Saúde chama de Medicinas Complementares ou Não Convencionais.
Trata-se de uma prática de origem supostamente milenar, ao que parece oriunda do Tibete, que foi redescoberta no Japão, nos finais do século XIX, por Mikao Usui. Nesta prática, o transmissor capta a energia vital através do topo da sua cabeça e transmite-a para um qualquer corpo vivo (receptor), o seu próprio ou o de outra pessoa, através do toque das mãos.
Reiki é uma prática eficaz de promoção do bem-estar global (nos planos físico, emocional, mental e social), cujo objectivo primeiro é ajudar o receptor a restabelecer o seu equilíbrio energético, mobilizando a sua capacidade de auto-regulação, de auto-cura. Por isso, Reiki auxilia na prevenção ou tratamento de várias doenças, da enxaqueca à depressão, e é um excelente complemento de qualquer outra prática terapêutica, convencional ou complementar.
Por que motivos?
O meu encontro com Reiki ocorreu há cerca de nove anos. Nessa época, manifestava sintomas de gastrite crónica, que correspondia à somatização de uma insatisfação psicoemocional. Na verdade, vejo hoje que vivia em profundo desencontro comigo mesma.
Reiki surgiu então como uma opção natural e suave, que me atraiu precisamente pela sua simplicidade, eficácia, amorosidade e carácter não invasivo. Percebi, com a continuidade da prática, o quanto Reiki efectivamente contribui para promover estados de cada vez maior Equilíbrio, Saúde e Consciência.
Qual o conhecimento adquirido para essa prática?
Para ser hoje praticante de Reiki (uma reikiana, como é uso dizer-se), foi necessário passar por um curso do Primeiro Grau de Reiki ou Nível 1 com um mestre em Reiki devidamente qualificado. O mestre em Reiki é alguém que está preparado para iniciar ou sintonizar o aluno na frequência da energia Reiki.
O Primeiro Grau ou Nível 1 é também designado de Sho-Den ou Conhecimento Inicial. No Sistema Usui de Cura Natural (que preserva a essência e a disciplina da prática tal como ela é na origem), um curso de Nível 1 contempla, além da aprendizagem de sequências básicas para auto-aplicação e aplicação no outro, muitos momentos preciosos de prática, escuta e partilha, que dão sustentação a uma prática continuada.
Que tipo de pessoa pessoas procuram esta terapia, e com que objectivo?
No Projecto que integro (Reiki Sem Fronteiras), somos procurados por pessoas de todas as idades, géneros, condições sociais e culturais, que chegam até nós com as motivações mais diversas, desde a necessidade de melhorar uma condição de saúde específica ao desejo de investir em maior Qualidade de Vida para si e para os seus.
De que modo pode esta terapia promover o bem-estar de quem a procura?
Desarmante na sua simplicidade, esta prática de saúde é gentil, profunda e eficaz, podendo ser utilizada para auto-aplicação, aplicação em amigos, familiares, animais e plantas (em contexto doméstico), ou ainda como terapia complementar, em contexto clínico.
Neste momento, aliás, já muitos profissionais de saúde integram Reiki na sua prática individual, com resultados comprovados. Do mesmo modo, diversos hospitais, na Europa e no resto do Mundo, estão a desenvolver programas de intervenção terapêutica com Reiki, nomeadamente para gestão da dor no cancro, fortalecimento do sistema imunitário, promoção do bem-estar global e estabilização emocional no HIV/SIDA.
Reiki assenta numa abordagem holística, ou seja, perspectiva o ser como um todo e não como um conjunto fragmentado de partes. Assim sendo, Reiki, quer na sua dimensão preventiva, quer na sua dimensão “correctiva”, actua, simultaneamente, em todos os planos do Ser: físico; emocional; mental; social.
No plano físico, a prática do Reiki pode traduzir-se na redução de tensões musculares e outras, numa melhor gestão da dor, na rápida recuperação de feridas, fracturas, processos inflamatórios ou infecciosos.
Já nos planos emocional e mental, a prática do Reiki pode ser uma ferramenta preciosa na gestão da ansiedade, da insónia, do stress, na estabilização emocional, na melhoria global da atenção e da memória, na promoção de uma maior qualidade de pensamentos e de uma atitude mais aberta e positiva perante a vida/o mundo.
A nível social, a prática regular de Reiki pode contribuir para relacionamentos mais harmoniosos, clarificando as “projecções” que acumulamos sobre os outros.
Em termos globais, ajuda a restabelecer o equilíbrio energético e a vitalidade global, mobilizando a capacidade de auto-regeneração do receptor.
Em conclusão, Reiki pode ser considerado, a um tempo, e na imagem “feliz” proposta pela The Reiki Alliance, uma prática de promoção e manutenção da saúde global, uma prática integrada de desenvolvimento pessoal e, ainda, o portal para maior Consciência.
Qual o significado da colocação das mãos nesta terapia?
As mãos são apenas o veículo através do qual a energia é transmitida para o corpo do receptor. E o procedimento é simples: coloco as mãos e Reiki flui; retiro as mãos e Reiki deixa de fluir.
Não é necessário manipular, intencionar, visualizar ou desejar para que a energia vital circule, na quantidade determinada pelo receptor em função da sua necessidade do momento. Basta que aquele que necessita se disponha a receber Reiki… e que esteja presente um praticante de Reiki para atendê-lo…
Num problema emocional onde se colocam as mãos? E porquê?
Quando entendemos Saúde no seu sentido mais lato, isto é, como um estado global de equilíbrio e harmonia a nível físico, emocional, mental e social, tal como propõe a Organização Mundial de Saúde (O.M.S.), percebemos que cada sintoma ou desconforto físico é expressão de um desequilíbrio psicoemocional, que, geralmente, se traduz em mal-estar social.
Esse é, aliás, o objecto de estudo da Psicossomática, especialidade por vezes esquecida da medicina convencional, que se dedica a descodificar a “linguagem” dos sintomas.
Se o fígado, por exemplo, é órgão de choque da emoção da raiva, o rim é órgão de choque da emoção do medo. Assim, ao atendermos a um sintoma ou órgão específico, estamos também a abrir espaço para trazer à consciência e, consequentemente, atender a “ressonância” psicoemocional que lhe está associada.
Qual a sua percepção relativamente à Saúde?
Como já disse, para mim Saúde é bem mais do que mera ausência de sintomas físicos. No seu sentido mais lato, Saúde é um estado global de equilíbrio e harmonia, a nível físico, emocional, mental e social, tal como propõe a Organização Mundial de Saúde (O.M.S.).
Esta é uma Visão Integrada e Integrativa.
Em primeiro lugar, porque perspectiva o homem como um todo, envolvendo os vários planos da pessoa (energético, físico, emocional, mental e social).
E também porque, necessariamente, acaba por promover a harmonização entre diferentes práticas de saúde, confrontando as “fronteiras” artificiais que se ergueram, especialmente nos últimos duzentos anos, entre uma medicina mecanicista, sintomatológica, dita curativa, fortemente investida na especialização e na tecnologia, a Ocidente, e uma medicina energética, holística, focada na promoção da saúde mais que na prevenção da doença, a Oriente.
Esta visão pressupõe ainda uma nova Responsabilidade Social em Saúde, que, sem retirar aos profissionais a dignidade das suas funções, resgata a responsabilidade do indivíduo e da comunidade, como um todo, na promoção da saúde, articulando harmoniosamente acção individual e colectiva.
Emília Sarmento



